Crônica | O lugar que escolhi

| 2 min de leitura

O lugar que escolhi para viver, como tudo nessa vida, me dá e me tira muitas coisas. 

Por exemplo: me dá a paz de dormir tranquila, sabendo que minha casa, que não tem grades nem trancas, não será invadida por bandidos;  que nenhuma bala perdida vai me atingir; que posso sair a qualquer hora do dia ou da noite e nada de mal irá me acontecer.  Me dá o prazer de poder desfrutar dessa paisagem maravilhosa;  de me alimentar com mais qualidade; de viver uma vida mais simples,  mais voltada para o essencial do ser humano, em fim de estar desarmada.

Me tira a possibilidade de viver uma vida cultural com mais assiduidade; devido à distância, de uma ter vida financeira mais robusta, uma vez que esta é uma cidade pequena, como também a praticidade de ter tudo a tempo e a hora. Tirou-me também a pressa de querer tudo para o mesmo minuto;  a intolerância com a vida e com as pessoas. Tirou-me principal-mente o mau humor.

Hoje 14 anos depois que deixei minha cidade do Rio de Janeiro, estou 14 anos mais jovem porque sou uma pessoa mais flexível, mais livre de rótulos, não me levando tão a sério, tampouco a vida. Hoje não tenho convicções tão rígidas de limites, de fronteiras, de divisas, etc… a Terra não é de ninguém, apenas pousamos sobre ela durante um breve tempo. O que me interessa é apenas a intenção das pessoas e desfrutar dos bons momentos, dar boas gargalhadas, trocar ideias, dar e receber apoio quando a vida for mais dura e de pedir desculpas quando atingir alguém mesmo que não intencional-mente.

Estou mesmo desejando que aconteça comigo como num texto que conheci há um tempo – o caminho inverso:

”Nascer completa-mente senil, posterior-mente ser expulsa do asilo, viver a velhice, a maturidade, a juventude a infância e morrer a partir de um grande orgasmo!”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *