Satisfação no trabalho atinge 78,1%, aponta pesquisa da FGV Ibre

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Negócios

A mais recente Sondagem do Mercado de Trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) aponta que 78,1% dos trabalhadores brasileiros estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o trabalho atual. O resultado representa o maior nível desde o início da série histórica, em 2025.

Segundo o levantamento, apenas 6,1% se declararam insatisfeitos, enquanto 15,8% adotaram posição neutra em relação ao emprego.

Principais fatores de insatisfação

Apesar do cenário positivo, a pesquisa evidencia desafios estruturais no ambiente corporativo. Entre os trabalhadores que relataram insatisfação, 60,5% indicaram a remuneração como principal motivo.

Outros fatores mencionados foram questões relacionadas à saúde mental (24,8%) e carga horária elevada (21,9%).

Cultura e gestão como pilares estratégicos

Para Izabela Holanda, diretora da IH Consultoria e Desenvolvimento Humano, os dados devem ser analisados a partir de três pilares: cultura organizacional, gestão e desenvolvimento humano.

“Satisfação é um indicador importante, mas ela é consequência de um ecossistema organizacional. Cultura clara, liderança preparada e investimento em desenvolvimento humano são determinantes para que essa percepção positiva se sustente ao longo do tempo”, afirma.

De acordo com a especialista, o crescimento do índice pode refletir maior estabilidade ocupacional e amadurecimento das práticas de gestão de pessoas. No entanto, o peso da remuneração como principal causa de insatisfação reforça a importância do reconhecimento financeiro na dinâmica de engajamento.

“Não há cultura forte sem coerência entre discurso e prática. Se a organização não estrutura políticas consistentes de valorização, saúde mental e equilíbrio de jornada, a satisfação tende a ser circunstancial”, destaca.

Segurança financeira e desempenho sustentável

A sondagem também registrou leve aumento no número de trabalhadores que consideram sua renda suficiente para cobrir despesas básicas, sinalizando melhora na percepção de segurança financeira.

Para Izabela, o desafio das organizações é transformar a satisfação declarada em desempenho sustentável. “Gestão estratégica exige olhar sistêmico. Quando cultura, gestão e desenvolvimento humano caminham alinhados, a organização não apenas retém talentos, mas constrói ambientes mais produtivos, resilientes e preparados para oscilações econômicas”, conclui.

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