Paulinho: Um ano de saudades
Tudo começou com a guitarra Fender do meu irmão.
O nosso Paulo – o Paulinho do Brasil, deu os primeiros passos para sua carreira artística , mais precisamente em 1966, na casa dos Villane na Rua Whashington Luiz, Bairro de Fátima, no Rio de Janeiro. Tínhamos um amigo chamado Luizinho que arranhava alguns acordes. Meu irmão Leninho tinha acabado de ganhar uma guitarra Fender que o Paulo sempre pedia emprestado. O Luizinho tocava guitarra, o Paulinho improvisava uma percussão numa bandeja de alumínio sobre um tamborete, um molho de chaves encima da bandeja e um par de baquetas. E alí ficávamos escutando a voz aguda e potente daquele menino franzino, muito bonitinho!Beleza esta que conferiu-lhe o apelido de Bibelô.
Cheio de talento e garra, logo depois ele começou a fazer parte do seu primeiro conjunto. Não lembro do nome, somente o menino que liderava – Marcio. A partir de então Paulinho não parou mais. Participou de várias outras bandas de garagem, como Half and Half, Os Ufos, Los Panchos Vila… Nessa época foi que Paulinho conheceu Kiko, Ricardo
e Jandira Feghali. Durante um tempo ela foi baterista de uma dessas formações. Nos primeiros anos da década de 1970, ele ingressou na banda Os Famcks, cujo o fundador, foi o Cleberson Horsth, o qual conheci ainda criança, pois ele vem a ser primo de minha prima.
Os Famcks era uma banda de baile que fazia muito sucesso! Ainda na década de 1970, começaram a trabalhar para TV Globo como banda de studio, ou seja, gravando instrumental das trilhas de novelas em climas e andamentos diferentes do original da melodia, para compor o clima das cenas, mas nunca se afastaram dos bailes nos finais de semana. Com essa formação gravaram um LP com nome de Os Motocas. Trabalharam também como banda de studio para vários artistas, até que Mariozinho Rocha, vendo o talento dos meninos, em 1980 resolveu produzi-los e a sua intenção era dar-lhes uma nova roupagem e assim surgiu o nome Roupa Nova, sendo brindado com a canção de Milton Nascimento que dá nome à essa banda maravilhosa que todos conheceram com essa formação única até Paulinho nos deixar.
Ele era um dos órgãos vitais daquele organismo. Objetivamente encarei sua substituição como um transplante: o órgão vital é substituído por um compatível. Mas na minha opinião, no palco, sempre faltará ele, aquela voz inconfundível, singular que só a formação original tinha. Até porque sei o que significava para ele estar no palco ao lado de seus companheirosfazendo o que veio ao mundo para fazer. E isso eu ratifiquei em sua última live meses antes de nos deixar. O quanto ele, mesmo debilitado pela doença, queria estar presente. Parafraseando Milton, “nada será como antes amanhã”: o Sol de Verão surgirá sob nuvens; o Sapato Velho não mais aquecerá o frio dos nossos pés… mas como dizem, “o show tem que continuar”… Roupa Nova continua, agora cerzida*.
(*) remendar com pontos minúsculos quase imperceptíveis

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