Déficit de pediatras e problemas estruturais afetam atendimento infantil no Ceará
A pediatria da rede pública no Ceará enfrenta um cenário de instabilidade que tem comprometido a assistência a crianças e recém-nascidos em unidades de referência do estado. A combinação de déficit de especialistas, fragilidades estruturais e incidentes recentes evidencia a vulnerabilidade do sistema.
Em setembro de 2025, o Hospital Geral Dr. Waldemar de Alcântara (HGWA), em Fortaleza, registrou a ausência de cirurgiões pediátricos na escala de plantão. A situação foi denunciada pelo Sindicato dos Médicos do Ceará, que aponta a falta de acordo para renovação contratual e a defasagem salarial como fatores determinantes para a interrupção do serviço.
A ausência desses profissionais compromete o atendimento de urgências e emergências cirúrgicas pediátricas, afetando diretamente a capacidade de resposta de uma unidade que atende majoritariamente pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outro episódio ocorreu em 13 de novembro de 2025, quando um incêndio atingiu a subestação de energia do Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), no Centro de Fortaleza. O incidente provocou a interrupção do fornecimento elétrico em áreas críticas, incluindo unidades de emergência e neonatal.
Diante da situação, 117 bebês e 153 gestantes e puérperas precisaram ser transferidos de forma emergencial para outras unidades da rede estadual e municipal. Apesar de não haver registro de feridos, o episódio expôs fragilidades na infraestrutura e nos planos de contingência do hospital. As causas do incêndio seguem sob apuração técnica, e parte dos serviços permanece suspensa.
A crise também alcança a Maternidade Escola Assis Chateaubriand, em Fortaleza. A queda de um trecho do forro reacendeu o alerta sobre as condições físicas da unidade, que já havia registrado episódios anteriores de infiltrações e problemas estruturais, exigindo intervenções emergenciais e realocação de pacientes.
Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará e pediatra, Dr. Edmar Fernandes, os episódios refletem um problema estrutural. Segundo ele, a ausência de cirurgiões pediátricos, associada à fragilidade das estruturas hospitalares, demonstra que o sistema não está preparado para garantir atendimento seguro e contínuo a crianças e gestantes.
O dirigente defende a adoção de um plano emergencial para recomposição das equipes, revisão da política de remuneração de especialidades de alta complexidade e garantia de condições físicas adequadas nas unidades. O Sindicato dos Médicos do Ceará avalia que a superlotação de leitos neonatais, aliada à carência de profissionais especializados, amplia a demanda reprimida e compromete a segurança do atendimento pediátrico no estado.
Serviço
Unidades citadas na reportagem
– Hospital Geral Dr. Waldemar de Alcântara (HGWA) – Fortaleza
– Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC) – Fortaleza
– Maternidade Escola Assis Chateaubriand – Fortaleza
Atendimento predominante: Sistema Único de Saúde (SUS)

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