Ruth de Souza – um século de talento e luta

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Memória

Uma das coisas que mais me motiva dentro do amplo trabalho no Plural News é sem duvida poder resgatar tantas historias incríveis e que por si só contam a historia do nosso país. Na era da internet, da globalização não é mais possível admitir que somos um pais sem memória, trago no memória de hoje a história e o legado de uma das atrizes mais importantes do Brasil, uma atriz que muito mais que talento e dom, fez história, inspirou todas as gerações posteriores as suas e escreveu uma página importantíssima na historia da cultura brasileira. Me refiro a incrível RUTH DE SOUZA , esse ano seria o seu centenário, Ruth nos deixou há dois anos em 2019, vítima de pneumonia, mas seu legado sempre será lembrado com muito amor e respeito. Nascida no Rio de Janeiro, Ruth Pinto de Souza passou parte de sua infância no bairro engenho de dentro e só mais tarde mudou-se para Copacabana.

Ainda na infância, a menina Ruth se interessou pelo teatro e foi um acerto, em 1945 ingressou no grupo de teatro TEN ( Teatro Experimental do Negro ), abrindo assim a porta para tantas outras gerações de artistas negros que viriam posteriormente. Foram Ruth e o grupo TEN o primeiro grupo de teatro negro a subir ao palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro com a peça O Imperador Jones, de Eugênio O’Neill. Em 1959 a atriz  viveu outro momento especial no palco, ao protagonizar Oração para uma Negra, de William Faulkner, com Nydia Lícia e Sérgio Cardoso, no Teatro Bela Vista, em São Paulo.

Pascoal Carlos Magno lhe indicou para a  Fundação Rockefeller que lhe deu uma bolsa de estudos e assim Ruth passou um ano nos Estados Unidos estudando na Universidade Howard, em Washington, na escola de teatro Karamu House, Cleveland, e também na Academia Nacional do Teatro, em Nova Iorque. Em 1948 estreou no cinema no filme Terra Violenta e fez inúmeros outros filmes (ver abaixo filmografia) em 1953 atuou em Sinhá Moça no cinema e ganhou reconhecimento nacional por sua brilhante atuação, Ruth foi a primeira atriz negra brasileira a ganhar um prêmio internacional de cinema, no Festival de Veneza de 1954, na categoria de Melhor Atriz.

Foi na década de 50 que a já famosa Ruth de Souza começa a participar de radionovelas e a atuar nos teleteatros da TV Tupi e teatros. Por sua atuação em 1959 na peça “Oração para uma Negra”, de William Faulkner com o grupo Nydia Lícia–Sérgio Cardoso recebeu os principais prêmios da temporada. Na década seguinte, alcança o sucesso na televisão com a telenovela A Deusa Vencida, de Ivani Ribeiro, na TV Excelsior. Em 1969 se tornou a primeira atriz negra a protagonizar uma telenovela na Rede Globo em A Cabana do Pai Tomás — e a segunda na televisão brasileira, após Yolanda Braga, em A Cor da Sua Pele (1965) na TV Tupi. 

Ruth de Souza é uma das atrizes mais importantes de sua geração e uma das que maior valor artístico e humanista gerou ao país. Todas as suas participações em teatro, tv e cinema foram e são marcantes, sobretudo num país racista, a importância, talento e valor dessa grande artista se dá por todo esse universo, não seria possível as conquistas que foram alcançadas hoje (e que são ainda pequenas) possíveis sem ter o pioneirismo, garra e luta dessa grande artista, amada, reconhecida e homenageada por toda a classe artística, principalmente os artistas negros brasileiros. Ruth de Souza é e sempre será reverenciada como Rainha Absoluta, sobre a artista todas as gerações são unanimes em dizer :

Milton Gonçalves, parceiro de Ruth de Souza em O Bem-Amado (1973), Sinhá Moça (1986 e 2006), Mandala (1987), De Corpo e Alma (1992) e tantas outras produções afirma : 

“A grande lembrança que eu tenho da Ruth é da sua postura de uma dama de primeira categoria. Quando eu falo categoria, não é ser melhor, mas sim de uma pessoa elegante, gentil, estudiosa”, elogia.

“Eu sou um brasileiro, eu tenho as minhas questões raciais, mas eu não falo isso com ódio. E a Ruth era uma pessoa elegantíssima, uma dama que honrava muito essa nossa luta para ser respeitado. Ela era uma dessas damas, uma das grandes atrizes brasileiras, ela era igual.”

Memória
Imagem: Reprodução

A atriz Tais Araújo, também fala com muito respeito sobre Ruth de Souza : “Ela é a primeira de todas nós. É graças a ela que estamos aqui hoje, trilhando nossos caminhos. Ela abriu o portão pra gente, portão esse que não permitiremos que feche, portão esse que fazemos questão de escancarar para que mais de nós possamos passar”

Memória
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E a atriz e cantora Zezé Mota também celebra Ruth de Souza “100 anos da nossa Ruth de Souza. O centenário de uma rainha. Amplamente considerada uma das primeiras atrizes de teatro negro da história do Brasil. Com apresentações em teatro, televisão e cinema, Ruth abriu caminho para os futuros artistas afro-brasileiros. A minha sorte de ver vivido e trabalhado inúmeras vezes com ela”.

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Ruth de Souza e sua obra marcante :

No Cinema:

1948 Terra Violenta

         Falta Alguém no Manicômio

1949 Também Somos Irmãos

1950 A Sombra da Outra

1951 Ângela

       Terra É sempre 

1953 Sinhá Moça

1954 Candinho

1956 Quem Matou Anabela?

1957 Osso, Amor e Papagaios

1958 Ravina Mariana

1959 Fronteiras do Inferno

1960 Mistério da Ilha de Vênus

        Favela

1961 Bruma Seca

        A Morte Comanda o Cangaço

1962 O Assalto ao Trem Pagador

1963 O Cabeleira

        Gimba, o Presidente dos Valentes

1968 O Homem Nu

1974 Pureza Proibida

1975 Ana, a Libertina

1976 Um Homem Célebre

1977 Quem Matou Pacífico?

        Ladrões de Cinema

1980 Fruto do Amor

1987 Jubiabá

1994 Boca

1999 Um Copo de Cólera

2001 A Negação do Brasil

2003 O Aleijadinho: Paixão, Glória e Suplício

2004 As Filhas do Vento

        Domingo

2005 Durvalino

2015 O Vendedor de Passados

2018 Primavera

Na TV:

1951–55 Grande Teatro Tupi

1965 A Deusa Vencida

1968 Passo dos Ventos

1969 A Cabana do Pai Tomás

         Verão Vermelho

1970 Assim na Terra Como no Céu

         Pigmalião 70

1971 O Homem Que Deve Morrer

1972 Bicho do Mato

1973 O Bem Amado

           Os Ossos do Barão

1974 O Rebu

1975 Helena

          O Grito Albertina

1976 Duas Vidas

1977 Sinhazinha Flô

1978 Sinal de Alerta

1980 Olhai os Lírios do Campo

1982 Sétimo Sentido

1983–84 Caso Verdade

1984 Corpo a Corpo

1986 Sinhá Moça

          Cambalacho

          Os Trapalhões

1987 Mandala

         Expresso Brasil

1988 Fera Radical

1989 Pacto de Sangue

1990 Rainha da Sucata

1992 De Corpo e Alma

1993 Você Decide

1994 Memorial de Maria Moura

1995 Você Decide

1996 Quem É Você?

1997 Você Decide

2000 Isaura

2001 O Clone

2004 Senhora do Destino

2006 Sinhá Moça

2007 Amazônia, de Galvez a Chico Mendes

          Duas Caras

2008 Faça Sua História

2010 Na Forma da Lei

2018 Mister Brau

         Se Eu Fechar os Olhos Agora

No Teatro :

1945 O Imperador Jones

1946 Todos os Filhos de Deus têm Asas

O Moleque Sonhador

1947 O Filho Pródigo

Terras do Sem-Fim

1948 Recital Castro Alves

A Família e a Festa na Roça

1949 Aruanda

Filhos de Santo

1950 Calígula

1958 Vestido de Noiva

1959–60 Oração Para uma Negra

1961 Quarto de Despejo

1964 Vereda da Salvação

1967 O Milagre de Anne Sullivan

1978 A Revolução dos Patos

1980 Passageiros da Estrela

1983 Requiém para uma Negra

1994 Anjo Negro

Prêmios & Homenagens:

1954 Festival Internacional de Cinema de Veneza Leão de Ouro Sinhá Moça Indicada

1976 Troféu APCA Melhor Atriz Coadjuvante Pureza Proibida Venceu

2004 Festival de Gramado Melhor Atriz As Filhas do Vento Venceu

2006 Prêmio Contigo! de Cinema Nacional Melhor Atriz (júri) Indicada

 2016, a atriz foi homenageada no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília.

2018 5º Festival Brasil de Cinema Internacional Melhor Atriz Coadjuvante venceu Primavera

 2019 foi homenageada no carnaval carioca pela escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz, com o enredo Ruth de Souza – Senhora Liberdade. Abre as Asas Sobre Nós. 

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