CEAP e Favelivro inauguram Biblioteca Maju Coutinho no Dia da Mulher Negra
O Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) e a Favelivro inauguraram, na última sexta-feira (25), a Biblioteca Maju Coutinho. A cerimônia foi realizada na sede do CEAP, no bairro Saúde, no Rio de Janeiro, em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
A escolha da data reforçou o objetivo da iniciativa de valorizar o protagonismo das mulheres negras e homenagear a jornalista e apresentadora Maju Coutinho. Durante o evento, ela foi recebida por familiares, convidados e participantes, recebeu livros destinados ao acervo da biblioteca e compartilhou o momento com os pais, João Raimundo Coutinho e Zilma Coutinho.
Debate sobre educação e memória negra
A programação começou com a abertura conduzida pelo presidente do CEAP, Ele Semog. Em seguida, uma roda de conversa mediada pela professora doutora Mariana Gino reuniu Helena Theodoro, Verônica Marcílio, Lavini Castro, Janete Ribeiro e Maju Coutinho.
O debate abordou temas como educação antirracista, literatura, preservação da memória negra e a valorização das trajetórias de mulheres negras como instrumentos de transformação social.
Apresentações culturais marcaram a cerimônia
A programação também contou com apresentações da cantora Segura Nega, que interpretou clássicos da música brasileira, e do Balé Aya, do Bloco Afro Ilú Axé Muvuka, com um espetáculo inspirado na ancestralidade e na cultura afro-brasileira.
No fim da tarde, o Coletivo de Mulheres da CONAQ exibiu o documentário Cafuné, seguido de uma conversa sobre a realidade das mulheres quilombolas e estratégias de proteção e autocuidado.
Homenagem a Maju Coutinho
Em seu discurso, Maju Coutinho destacou a importância da trajetória das mulheres negras na construção de oportunidades para as novas gerações.
“A filósofa Angela Davis disse que, quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela. Eu sou prova viva disso. Eu só estou aqui porque mulheres negras se movimentaram antes de mim.”
A diretora executiva adjunta do CEAP, Mariana Gino, destacou o simbolismo da homenagem.
“Ter uma biblioteca em homenagem à Maju dentro do CEAP representa a história dos mais de 40 anos da instituição, que acredita na educação e na cultura como base para transformar a sociedade.”
Também participaram da cerimônia personalidades como a fundadora do antigo Centro Cultural Cartola, Nilcemar Nogueira, a médica e influenciadora Thelminha, o diretor de televisão Jorge Espírito Santo e a empresária Suzy Clementino, que ressaltaram a importância da iniciativa.
Outro momento de destaque foi o recital de poemas apresentado por João Raimundo Coutinho, pai de Maju, acompanhado pela esposa, Zilma Coutinho, diante dos convidados.
Espaço permanente de leitura e formação
Fruto da parceria entre CEAP e Favelivro, com apoio da Rede de Professores Antirracistas, Contém Amor, Coletivo Maitê Ferreira/CEAP e Rio Memórias, a Biblioteca Maju Coutinho nasce como um espaço permanente voltado à leitura, pesquisa, formação, encontros culturais e valorização da memória negra.
Segundo as instituições, a iniciativa busca ampliar o acesso ao conhecimento e fortalecer ações de educação e cultura como ferramentas de transformação social.

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