Infecções na boca aumentam riscos à saúde de idosos, alerta especialista

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Saúde

Com mais de 32 milhões de pessoas acima dos 60 anos no Brasil, o envelhecimento da população tem ampliado o debate sobre fatores que impactam diretamente a saúde dos idosos. Entre eles, um tema ainda pouco discutido é a relação entre a saúde bucal e o aumento do risco de internações provocadas por complicações que poderiam ser evitadas com acompanhamento preventivo.

Embora muitas hospitalizações ocorram em razão de doenças respiratórias, cardiovasculares ou metabólicas, especialistas alertam que infecções bucais podem contribuir para o agravamento desses quadros. O tema ganha relevância diante do crescimento da população idosa e da necessidade de fortalecer ações preventivas dentro do sistema de saúde.

Infecções bucais podem afetar todo o organismo

No Ceará, dados do DATASUS apontam que cerca de 43% das internações de idosos estão relacionadas às chamadas Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP), grupo de problemas que poderiam ser evitados ou controlados por meio de acompanhamento adequado na atenção básica.

Segundo o cirurgião-dentista Dr. Davi Cunha, a cavidade oral pode funcionar como porta de entrada para processos inflamatórios capazes de afetar diferentes órgãos do corpo.

“A saúde da boca está diretamente ligada à saúde geral. Infecções periodontais, por exemplo, podem liberar bactérias e mediadores inflamatórios na corrente sanguínea, contribuindo para o agravamento de doenças crônicas como diabetes e problemas cardiovasculares”, explica.

Risco maior para pacientes com limitações físicas

De acordo com o especialista, idosos com mobilidade reduzida, doenças neurológicas ou dificuldades de deglutição exigem atenção redobrada quando o assunto é higiene bucal.

Nesses casos, bactérias presentes na saliva podem ser aspiradas para os pulmões, favorecendo o desenvolvimento de pneumonias e outras complicações respiratórias.

“Pacientes acamados, com doenças neurológicas ou dependentes de cuidadores para realizar a higiene bucal exigem atenção especial. Muitas vezes, uma condição que começa com uma inflamação na gengiva pode evoluir para um problema sistêmico grave”, afirma.

Perda dentária também compromete a saúde

Além das infecções, a perda de dentes pode trazer impactos importantes para a qualidade de vida dos idosos.

A dificuldade para mastigar leva muitos pacientes a restringirem a alimentação, reduzindo o consumo de alimentos essenciais para a manutenção da saúde, da imunidade e do estado nutricional adequado.

Esse processo pode contribuir para o enfraquecimento do organismo e aumentar a vulnerabilidade a doenças.

Prevenção é fundamental

Para o Dr. Davi Cunha, medidas preventivas simples continuam sendo as principais aliadas na redução dos riscos associados à saúde bucal.

“O controle do biofilme bucal, as consultas periódicas e o tratamento precoce de inflamações são medidas simples, mas que podem fazer diferença não apenas na saúde dos dentes e gengivas, mas também na prevenção de doenças que levam à hospitalização”, destaca.

Diante do envelhecimento acelerado da população brasileira, especialistas defendem uma integração cada vez maior entre a odontologia e a atenção primária à saúde, reforçando que os cuidados com a boca fazem parte das estratégias de promoção da qualidade de vida e do envelhecimento saudável.

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