Pacientes com epilepsia resistente a remédios têm novas opções terapêuticas
Cerca de um terço dos pacientes com epilepsia não consegue controlar adequadamente as crises apenas com medicamentos. Para esses casos, especialistas reforçam a importância de procurar centros de referência, que reúnem equipes multidisciplinares e acesso a exames e terapias avançadas.
A cirurgia continua sendo a alternativa mais indicada quando é possível identificar o foco cerebral responsável pelas crises. A remoção ou ablação controlada do tecido cerebral pode reduzir significativamente ou até eliminar as convulsões. Nos últimos anos, técnicas minimamente invasivas tornaram essas intervenções mais seguras, com recuperação mais rápida.
Outra frente que vem ganhando destaque é a neuromodulação. Entre os procedimentos disponíveis:
- Estimulação cerebral profunda (DBS): implantação de eletrodos em áreas específicas do cérebro para modular a atividade elétrica, sem necessidade de remover tecido cerebral, ajustável ao longo do tempo.
- Estimulação responsiva: dispositivos que atuam apenas ao detectar o início de uma crise.
- Estimulação do nervo vago: indicada como complemento em pacientes que não podem passar por cirurgias mais invasivas.
O diagnóstico também evoluiu. Exames de imagem mais detalhados permitem identificar lesões pequenas, antes invisíveis, aumentando o número de pacientes que podem ser candidatos à cirurgia.
Segundo o neurocirurgião Rafael Maia, “quando a epilepsia não responde aos medicamentos e os exames não mostram um circuito bem definido, técnicas como a estimulação cerebral profunda e a estimulação do nervo vago podem oferecer uma possibilidade real de reduzir crises e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, muitas vezes sem a necessidade de cirurgias mais extensas”.
A recomendação dos especialistas é clara: pacientes com epilepsia resistente devem buscar avaliação especializada e, quando necessário, encaminhamento para centros de alta complexidade, onde é possível indicar a conduta mais adequada, seja cirúrgica ou por neuromodulação

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