Médicos cobram salários atrasados e denunciam problemas de trabalho no SOPAI

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Sociedade

Os médicos que atuam no Hospital Sociedade de Assistência e Proteção à Infância de Fortaleza (SOPAI) aprovaram a realização de uma paralisação parcial das atividades caso os pagamentos em atraso referentes aos meses de março, abril e maio não sejam regularizados no prazo de até 72 horas.

A decisão foi tomada durante uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) promovida pelo Sindicato dos Médicos do Ceará. Após a reunião, a entidade informou oficialmente a deliberação à direção do hospital e ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec).

No documento encaminhado ao hospital, o Sindicato solicita a apresentação de um cronograma para a regularização dos pagamentos e a recomposição das escalas médicas, com número de profissionais compatível com a demanda da unidade.

Médicos relatam problemas nas condições de trabalho

Além dos atrasos salariais, os profissionais relataram dificuldades enfrentadas na rotina de trabalho, como insuficiência de médicos nas escalas, alterações de plantões sem consulta prévia à equipe, ausência de comunicação institucional e utilização frequente de planos de contingência para restringir atendimentos.

Segundo o Sindicato dos Médicos, a paralisação parcial tem como objetivo chamar atenção para a situação enfrentada pela categoria, sem interromper a assistência à população. A entidade afirma que os atrasos recorrentes nos pagamentos, a insegurança contratual e a sobrecarga de trabalho têm afetado as condições para o exercício da medicina na unidade.

Pedido de fiscalização ao Cremec

Também nesta segunda-feira, o Sindicato encaminhou um ofício ao Cremec solicitando fiscalização urgente no hospital para apurar as condições de trabalho e de assistência prestadas.

Entre os pontos apresentados estão relatos de pressão para cobertura de plantões, falta de suporte da coordenação diante de desfalques nas escalas, atuação de profissionais recém-formados ou inexperientes em setores de maior complexidade sem supervisão adequada e possíveis falhas no acompanhamento assistencial de pacientes pediátricos.

Os médicos também denunciaram problemas estruturais e operacionais, como falta de insumos básicos, falhas em aparelhos de ar-condicionado, ausência ou desaparecimento de livros de frequência, produtividade e ocorrência médica, além de dificuldades para registrar formalmente intercorrências e situações de risco.

Solicitações apresentadas ao Conselho

No documento enviado ao Cremec, o Sindicato pede a instauração de procedimento administrativo, com base na Resolução CFM nº 2.462/2026, para apuração dos atrasos salariais, verificação das condições de trabalho, da suficiência das escalas médicas, da regularidade da inscrição da pessoa jurídica junto ao Conselho e da atuação do diretor técnico responsável.

O Sindicato dos Médicos do Ceará afirma que as medidas têm como objetivo assegurar condições adequadas para o exercício da medicina, preservar a segurança dos pacientes e garantir a regularidade da assistência prestada.

O espaço permanece aberto para manifestação da direção do SOPAI sobre os fatos apresentados pelo Sindicato dos Médicos do Ceará.

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